Era comum nos sábados de sol você me trazer 

incenso em sua perua laranja e ouvirmos Janis Joplin no parque. Sabíamos nos divertir enquanto a maioria se lamentava. Enquanto a fumaça subia junto com nossos pensamentos, nossos corpos rodopiavam como ventania em dia de chuva. Janis cantava para nós dois e sei que você jamais ouviria – a sozinho, de pernas cruzadas em um quarto escuro. Aqueles gritos roucos ecoavam pelo céu, transmitindo nostalgia de algo que nem aconteceu. Ontem é passado, mas a rouquidão se prolonga em nossas mentes enquanto existir vida. Você se esquecerá de mim, mas não de Janis. 




Um dia, ela cantou pra nós dois.

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